rente a uma prática filosófica tão vasta quanto a de Claudio Ulpiano, que não fazia distinção entre filosofia e vida, logo, também, entre a filosofia e a sua vida, muita gente se pergunta por que ele não escreveu mais. O fato é que Claudio elegeu a transmissão oral como o modo privilegiado no ensino da filosofia. Quem teve a sorte de assistir às suas aulas, sabe que a impressão dos alunos, ao final, era a de terem passado algumas horas mergulhados num texto denso e complexo que, paradoxalmente, se apresentava para todos com uma clareza extraordinária. A verdade é que este professor tão singular optou por escrever "em ato", através de suas aulas. Cada aula era como o capítulo de um livro no qual os conceitos da filosofia iam sendo levantados, explicados e, talvez, como desejava Claudio, também "em ato", entendidos.
O Centro de Estudos Claudio Ulpiano pretende colocar na Internet uma grande parte destas aulas. Elas foram gravadas por iniciativa dos alunos, que vêm nos cedendo as gravações, feitas em cassete. Algumas fitas não são mais recuperáveis, infelizmente; em contrapartida, quase todas as aulas foram gravadas por várias pessoas, o que aumenta a chance de conseguirmos restaurar pelo menos um exemplar de cada aula em mídia digital. Uma parte delas está sendo transcrita, e estamos tendo o cuidado de fazer apenas as modificações necessárias para a transformação do registro oral em escrito. Outra parte permanecerá em áudio, por enquanto, e poderá ser baixada no site.
Nenhuma aula será retirada da Internet. Nosso objetivo é manter on line todas que formos tornando disponíveis. Nos cursos de Claudio, cada aula tinha um sentido nela mesma, mas este sentido se modificava, se ampliava, conforme as aulas iam se associando umas com as outras. Por causa disto, a mesma aula podia ser igualmente compreendida por um aluno principiante ou veterano. É este conjunto aberto, livre, porém rigoroso, e com uma ordem própria, que tentaremos recriar na web.
"As aulas de Claudio Ulpiano iam encurralando velhos hábitos, velhos sentimentos, velhas idéias. Elas nos obrigavam a um trabalho difícil e doloroso, que é voltar-se contra si e destruir, em si mesmo, o que as forças conservadoras edificaram solidamente. Uma estranha e dolorosa guerra em que o inimigo não era algo exterior, em que o alvo a ser destruído era você próprio.
Eisenstein falava de um cinema quebra crânio.
Claudio Ulpiano é como esse cinema."
Um aluno...
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